sexta-feira, 11 de março de 2016

REFLEXÕES SOBRE COMUNICAÇÃO E APRENDIZAGENS ONLINE





Leideana Galvão Bacurau de Farias
Universidade Aberta de Portugal

Haveria uma divergência de época: um desajuste coletivo entre as escolas e seus alunos na contemporaneidade que, cada vez mais, aparece como uma marca desta época e um problema desta geração. Embora não se trate de novidade absoluta, essa inadequação se tornou mais incontestável nos anos mais recentes, justamente quando foi se gerando um encaixe quase perfeito entre esses mesmos corpos e subjetividades, por um lado, e, por outro, os aparelhos móveis de comunicação e informação, tais como os telefones celulares e os computadores portáteis com acesso à internet. (Sibilia, 2012).



RESUMO: este ensaio objetiva oportunizar um conhecimento mais profundamente sobre as temáticas da Comunicação Face a Face e Comunicação Online, abordando também a aprendizagem online. Resgata conceitos de sociedade em rede e de como a educação encontra-se inserida neste contexto. Reflete sobre a comunicação online e comunicação face a face no intento de bem compreender seus efeitos em favor da aprendizagem online. Aborda o avanço das novas tecnologias da informação e comunicação e seu impacto na sociedade atual, alterando a forma como as pessoas se relacionam, estudam, trabalham. Utiliza como recursos os materiais inicialmente apresentados na unidade curricular Psicologia da Comunicação Online, inclusive as contribuições próprias e dos colegas presentes nos fóruns, extrapola com outras bibliografias pesquisadas no decurso da referida unidade de estudo. Por fim, este ensaio acadêmico se constitui em uma atividade individual de pesquisa, que resume as temáticas estudadas.

Palavras-chave: Sociedade em rede. Comunicação online. Comunicação face a face. Aprendizagem online.


1. Introdução                       
O desenvolvimento deste trabalho tem como objetivo propiciar oportunidade de consolidação de estudos realizados envolvendo a temática       psicologia da comunicação online, a partir de materiais disponibilizados no decurso de unidade curricular igualmente denominada Psicologia da Comunicação Online. Serão resgatadas contribuições pessoais e de outros que enriqueceram os fóruns de discussão e que ampliaram o acervo de conhecimentos de forma colaborativa no grupo e, em especial, tocaram esta autora. Algumas referências serão utilizadas resultantes de diversas reflexões, leituras e incursões no tema.
Inicialmente, se discorrerá sobre conceitos relacionados à sociedade em rede e à educação neste novo espaço tão permeado de conectividade. Estudar-se-á sobre a comunicação face-a-face e a comunicação mediada por computador, com vistas a entendê-las no contexto das relações educacionais e, inclusive, aplicá-las no âmbito profissional. São temáticas atuais, gestadas no contexto desta nova sociedade organizada em redes virtuais, que altera a forma como os indivíduos se comunicam, convivem, ensinam, aprendem, bem como os demais aspectos ligados às dimensões profissionais e pessoais. Outros temas serão tratados no decurso deste estudo, e, ao final, considerações gerais são apresentadas.

2. Reflexões preliminares sobre comunicação no contexto da sociedade em rede
Com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação ocorrida nos últimos anos, a sociedade se modifica fazendo surgir profundas transformações no jeito das pessoas se relacionarem e, consequentemente, na forma de trabalhar, estudar, aprender; enfim, no jeito de ser, de comunicar e de conviver. Naturalmente, outros conceitos também foram alterados, a exemplo, cita-se a compreensão sobre noção de espaço, de tempo e de velocidade, conforme apontado por Paul Virilio. Em tal contexto, as relações políticas, culturais, educacionais dentre outras interfaces da sociedade humana são também transformadas na medida em que as relações pessoais e sociais transcende os limites da territorialidade, modificando seu próprio conceito para um sentido que vai para o além fronteira e inclui potencial de aproximar culturas diversas e impactar acontecimentos individuais e sociais numa perspectiva global.
Surge uma sociedade em rede na qual as pessoas se conectam e tem acesso a fontes incomensuráveis de informação em segundos ou frações de segundos, o que torna as relações mais competitivas. “Esta sociedade coloca o ser humano numa rede colaborativa na qual se cria, se transforma e se acumula sucessivamente informação a uma escala global sem precedentes, em constante renovação e mutação” (Wiki, Mpel8, Educação e Sociedade em Rede). De forma bem acelerada, são desenhadas novas partilhas e experiências no bojo desta sociedade em rede, pelo encontro com as mídias sociais. Observa-se um cenário impactado pelas novas formas de comunicação, refletido claramente nos novos tipos de relacionamento quer no campo profissional ou pessoal, individual ou coletivo. Castells (1999) destaca que o cerne da questão relacionada a esta “nova” sociedade, centra-se na transformação do formato pelo qual esta sociedade se organiza e no surgimento de uma estrutura social e econômica interdependente planetariamente.
Resgatando o que Lévy (1999) coloca em suas reflexões, estas relações em rede e o crescimento do ciberespaço foram impulsionadas por uma geração nova desejosa por romper com os modelos tradicionais de comunicação. Claramente, se constatam que foram gerados novos espaços de comunicação, sendo importante a identificação de oportunidades para ganhos sociais, políticos, econômicos, educacionais.

3. O avanço tecnológico e a comunicação: fenecem paradigmas
É notório que o surgimento da Internet simboliza alavanca propulsora deste novo perfil de sociedade, de desenvolvimento tecnológico e de alteração nas formas de comunicação que hoje a sociedade vivencia. Isto ocorreu inicialmente de forma bem restritiva, num contexto de pesquisas militares por volta dos anos de 1960. Sua abertura para o mundo civil registrou-se na década seguinte de forma embrionária por meio das pequenas mensagens de texto, em seguida, ocorrendo o aparecimento dos e-mails e a possibilidade de pesquisas acadêmicas. O impacto destas tecnologias na comunicação ocorreu já no final do século XX, a partir da propagação da Internet com a proliferação dos provedores de Internet dentre outros fatores e inovações que fazem surgir uma sociedade conectada, na qual todos os segmentos que formam esta sociedade são modificados.
O setor educacional, por sua vez, é igualmente afetado, todavia, historicamente apresenta dificuldades em romper com velhos paradigmas. A comunicação se modifica, todavia custa a chegar nos ambientes escolares. As comunicações no mundo fora da escola ocorrem rapidamente e em rede; as informações ou comunicações são disponibilizadas e acessadas em site, blogs, fan pages, WhatsApp, Skypes, Facebook, Twitter, Google, YouTube e LinkedIn dentre outros. O formato tradicional precisa dar lugar a novas metodologias e estabelecer novos formatos de comunicação para o ensino e a aprendizagem. Para Facó (2008) o incremento das comunicações, a globalização, o fenômeno da Web, o modelo de sociedade em rede e as novas modalidades de educação exigiram da escola um reposicionamento, o que vem ocorrendo de forma gradual dentre outros fatores, por questões de infraestrutura ou de insuficientes políticas de capacitação e de desenvolvimento de competências técnicas profissionais necessárias à atuação nesta sociedade em rede. “Uma escola que não ligue, não personalize, não promova a criação e a partilha é uma escola em conflito com a realidade e, em consequência, não cumpre o seu papel educativo. Os media são potenciadores, são ferramentas à disposição das quais se pode tirar partido, mas para as quais também é preciso educar” declara Correia no Fórum sobre Comunicação Online (Mpel, 2016). Tal declaração é imediatamente ratificada por Maria Emanuel Almeida, fortalecendo o debate sobre a necessidade de educar para o contexto online, bem como realçando o papel do professor na conjuntura do ensino online, conforme Garrison, Randy & Anderson, Terry (2003).
Neste contexto, Moran (2004) naquela obra declara que a Internet, as redes, o celular, a multimídia estão revolucionando nossa vida no quotidiano. De forma conectada, a cada dia se agilizam mais situações conectados, a distância. Porém, para Moran, no segmento da educação sempre se impõem dificuldades para a mudança; há explicações que justificam a não ousadia ou ainda é comum que a mudança ocorre mais nos equipamentos do que nos procedimentos. Argumenta que a educação de milhões de pessoas não pode ser mantida na prisão, na asfixia e na monotonia em que se encontra, configurando-se um processo predominantemente engessado e cansativo.
Em relação ao uso das novas tecnologias na educação, Edgar Morin ressalta que o computador não produz conhecimento subjetivo, consistindo em uma máquina submetida aos projetos e finalidades dos seres humanos, seus criadores, tendo estes autonomia e seus próprios desejos. Esta autonomia, portanto, é definidora da forma de inovar as práticas humanas usando da tecnologia e não se colocando a serviço dela. Afinal, para Morin, tudo está ligado e é no aprender a aprender que o educador pode transformar sua ação em prática pedagógica transformadora.

4. Comunicação face a face, comunicação mediada por computador e Aprendizagem Online
A inquietude do Homem em relação à contínua busca por diferentes formas de se comunicar sempre esteve presente na história da humanidade o que está refletido nas pinturas rupestres, nos signos, símbolos, nos códigos linguísticos, no treinamento de pombos e cavalos para levar mensagens dentre outras formas de expressão e comunicação. Em diferentes épocas ocorreram marcos significativos na história da comunicação com a invenção da imprensa, do computador e Internet. “É nesta nova, e ainda muito desconhecida Era, que o Homem consegue estar presente, ainda que ausente, estar perto, ainda que longe e informado, ainda que num dilúvio de informações que se transforma a cada segundo” (Wikibooks, Mpel8, Comunicação Online e Aprendizagem). Baudrillard (1981) adverte que este excesso de realidade provoca o fim da realidade, da mesma forma que o excesso de informação põe um fim na comunicação. 
São desenvolvidas novas formas de comunicação entre as pessoas. Nomeadamente, a comunicação face-a-face e a comunicação mediada por computador são debatidas. A primeira ainda é, preponderantemente, tida como uma forma de comunicação mais segura, confiável e pessoal, enquanto a comunicação online é vista como mais impessoal e superficial.
Neste contexto, o uso de ferramentais comunicacionais vem se desenvolvendo consistindo numa alternativa de melhoria para a educação em suas diversas expressões. Velhos paradigmas fenecem diante de pesquisas que demonstram a efetividade de comunicações mediadas pelas novas tecnologias computacionais. Todavia, conforme relembra Hélder Pereira em debate realizado no Fórum Mpel 2016 desta unidade de estudo, citando Anderson & Dron (2010), ao tratar sobre a efetividade crescente da comunicação online ressalta ser importante o entendimento de “que o domínio da tecnologia é fundamental para que a aprendizagem online se desenvolva, mas devemos ter consciência que é a pedagogia o centro da ação sendo a tecnologia o meio para que esta se desenvolva”. É com este entendimento que seguimos os estudos das temáticas propostas.
Hesitação em relação ao novo e paradigmas arraigados sobre Comunicação Mediada por Computador - CMC costumavam rotular este tipo de comunicação como impessoal e incapaz de demonstrar emoções e interações sociais complexas. Todavia, o uso cada vez mais comum das tecnologias da informação e comunicação vem demonstrando, inclusive com bases científicas, que a CMC oferece efetividade nas relações a distância e promovem rica comunicação relacional. Relacionamentos interpessoais online podem expressar emoções e sentimentos; estabelecer laços e compromissos; construindo proximidades psicológicas tão intensas ou maiores do que na tradicional comunicação face-a-face.
Contribuindo com este debate Hélder, citando Haythornthwaite (1998), afirma que são diversos os fatores que influenciam a comunicação e aprendizagem online, mas destaca como fatores importantes o desenvolvimento de comunidades virtuais de aprendizagens e a proposição de atividades colaborativas e de cocriação de conhecimento entre os alunos, que promovem o sentimento de pertença e geram elos sociais significativos.
Ainda acerca da comunicação e aprendizagem online, um tema que segue realçado nas discussões, refere-se ao conceito de distância transacional. Este conceito vincula-se não ao aspecto da presença física e sim à proximidade pedagógica e psicológica do professor com o estudante. Esta distância transacional, segundo Michael Moore (1991), pode ser maior na medida em que for observada maior autonomia do estudante; necessariamente, deverá ser menor e requerer mais acompanhamento pedagógico, quando a autonomia do estudante for menor. Fatores como o diálogo educacional e a estrutura do programa interferem no êxito da comunicação e aprendizagem online. Para Ana Correia (Wikibooks Mpel8, 2016, Comunicação Online e Aprendizagem) "a distância física, aparentemente problemática na educação à distância, encontra respostas várias nos veículos comunicativos mais dinâmicos e interativos que as novas tecnologias disponibilizam". No debate deste tema me chamou especial atenção à reflexão feita ainda por Ana Correia, acerca da distância que muitas vezes se faz presente entre professores e estudantes, estudantes e estudantes, estudantes e conteúdos mesmo quando no ensino presencial (ou seja, a relação é presencial), o que nos leva a considerar que os aspectos que definem uma comunicação efetiva estão relacionados à questões voltadas para estrutura do curso (quer seja presencial ou a distância), o diálogo educacional, o papel do tutor dentre outras questões pedagógicas para além das tecnológicas.
A comunicação e a aprendizagem online podem ser potencializadas com o uso das Práticas Educacionais Abertas - PEA e os Recursos Educacionais Abertos - REA, que para além da produção de conteúdos e a sua disponibilização pública, promovem a sua reutilização dentro de contextos dinâmicos, colaborativos com interações e partilhas.
Conforme apontado em “Comunicação Online e Aprendizagem” (Wikibooks, Mpel8), há um novo mundo mediatizado que assume também papel de suporte aos processos cognitivos, sociais e afetivos povoado por seres que (re) constroem as suas identidades e os seus laços sociais nesse novo contexto comunicacional. Geram uma teia de novas sociabilidades que suscitam novos valores. Estes novos valores, por sua vez, reforçam as novas sociabilidades. Esta dialética é geradora de novas práticas culturais.
A cada ano, crescem as relações na Internet e as formas de comunicação utilizando as tecnologias digitais. Muito recentemente, em 2014, a Revista Exame, quando apresentava a previsão para 201, informa a mídia digital como sendo aquela que atingirá maior crescimento em investimento publicitário (16,1%), dados observados a partir das tendências de 59 mercados nas Américas, Ásia-Pacífico e Europa, Oriente Médio e África. É importante adequar-se a esta nova realidade e adotar as novas formas de comunicação como estratégias para potencializar resultados nos diversos segmentos das atividades humanas, inclusive na educação.

6. Considerações finais
Os estudos desenvolvidos para produção deste ensaio oportunizaram um conhecimento mais aprofundado sobre as temáticas da Comunicação Face a Face, da Comunicação Online e da aprendizagem online, paradoxalmente, pude perceber que muito tem a ser lido e compreendido sobre estas temáticas, considerando que elas permeiam os êxitos ou insucessos de um projeto educacional, quando posto em prática. Registro, com especial destaque, a riqueza de recursos que foram apresentados pelos colegas na plataforma do Mpel e que, através da leitura dos fóruns, me permitiram superar lacunas deixadas no decorrer do curso em função de algumas ausências motivadas por questões profissionais.
Ainda de forma paradoxal, convivemos com duas realidades: ou a descrença no uso das tecnologias ou a visão das tecnologias como uma panaceia para solução de problemas. Ademais, nesta sociedade em rede tendemos a considerar que as pessoas estão todas conectadas. Não é bem assim. Venho observando, no desenvolvimento de minha prática profissional na qual lido com produtos educacionais voltados para qualificação profissional, que mesmo utilizando as novas tecnologias da informação e comunicação, ofertando cursos bem estruturados com material didático pedagogicamente atrativo e plataformas virtuais interativas, diversas dificuldades se apresentam por parte dos estudantes impedindo-os de concluir seus estudos. As leituras aqui feitas, despertam-me interesse em pesquisar quais os componentes psicológicos ou comunicacionais que interferem na descontinuidade de seus estudos. Considero importante ampliar estudos que deem conta dos aspectos psicológicos da comunicação, certamente, um dos motivos para pesquisas e estudos de casos que nos possibilitem compreender mais claramente as estruturas e o universo do estudante online. Finalmente, espero contribuir para despertar no leitor que se avizinhe neste texto, desejos por novas leituras e novos estudos acerca das temáticas tão brevemente discorridas.

Referências Bibliográficas
Baudrillard, J. (1981). Simulacro e Simulações.
Castell, M. (1999). A era da informação: economia, sociedade e cultura. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra.
Correia, A. (2016). Wikibooks MPEL8. (2016). Comunicação Online e Aprendizagem. Disponível em
Emanuel, M. (2016). Wikibooks MPEL8. (2016). Comunicação Online e Aprendizagem. Disponível em https://pt.wikibooks.org/wiki/Comunica%C3%A7%C3%A3o_online_e_aprendizagem.
Acessado em 10-03-2016.

Facó, M. (2008). A Essência do Marketing Educacional. Disponível on-line em http://books.google.com.br/books?id=3iHuTZSxe2IC&pg=PA16&lpg=PA1&focus=viewport&hl=pt-BR&output=html_text.
Garrison, Randy & Anderson, Terry (2003). eLearning in the 21st Century: A Framework for Research and Practice. London & New York: Routledge Falmer.
Guadagnin, Luís Alberto; Dutra, Renato L. de Souza; Tarouco, Liane M. R. (2003) Seleção e uso de recursos instrucionais aptos ao estabelecimento de distância transacional adequada em cursos a distância. In Revista Novas Tecnologias na Educação (CINTED-UFRGS), v. 01, n. 02, p. 20-29, set. 2003.
Haythornthwaite, C. A (1998) Social Network Study of the Growth of Community Among Distance Learners. In: IRISS, Bristol, UK. Recuperado de http://www.slis.indiana.edu/CSI/wp00-01.html.
Lévy, P. (1999). Cibercultura. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Edições 34.
Moore, M. (1991).  Distance Education Theory. The American Journal of Distance Education, v.3, n. 3, 1991.
Morin, E. (2015). Ensinar a viver – manifesto para mudar a educação. Porto Alegre, RS: Sulina.
Paul Virilio. Disponível on-line em https://www.youtube.com/watch?v=vK8TGPNxhtM&feature=player_detailpage. Acessado em 7-3-2015.
Pereira, H. (2016). Wikibooks MPEL8. (2016). Comunicação Online e Aprendizagem. Disponível em
Porto, M. C. S. (2012). Crise da educação e a revolução do pensamento. Matrizes, UsP, p. 291 - 295. São Paulo. Brasil. Disponível online em
Revista Exame. Investimentos publicitários devem crescer 9,4% em 2014. Disponível on-line em http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/investimentos-publicitarios-devem-crescer-9-4-em-2014.
Sibilia, P. (2012). A escola no mundo hiperconectado: Redes em vez de muros. Matrizes, UsP, p. 195 - 211. São Paulo. Brasil. Disponível online em  www.matrizes.usp.br/index.php/matrizes/article/download/269/pdf. Acessado em 06-03-2016.
Valente, J.; Moran, J.; Arantes, V. (2011). Educação a Distância: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus.
Wiley, D. On OER (2009). TLT Symposium 2009: David Wiley's keynote on Open Education. recuperado de https://www.youtube.com/watch?v=VcRctjvIeyQ.
Wiki, Mpel8. (2014). Educação e Sociedade em Rede.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Desenvolvendo competências para uso de REA na prática educacional: duas escolhas


 
Leideana Galvão Bacurau de Farias
Universidade Aberta de Portugal

Compartilho neste ambiente, o resultado de mais uma atividade acadêmica requisitada pelo Mestrado em Pedagogia do e-Learning da Universidade aberta de Portugal - Uab, no decurso da Unidade Curricular Materiais e Recursos para e-Learning, desenvolvida sob a orientação da Profa. Dra. Ana Nobre.
A seguir, estão apresentados, portanto, 2 REA (Recursos Educacionais Abertos) disponíveis online, indicando de forma breve informações sobre: os endereços nos quais poderão ser consultados; mínimo de cinco critérios que estimularam as referidas escolhas; adaptação a ser proposta no recurso, caso seja desejada e permitida; por fim, a forma de utilização deste conteúdo em uma situação de aprendizagem.

·         REA nº 1: Jogo - Poluição das águas
Compreende um game com formação virtual interativa. Utilizando a tecnologia flash, é um jogo educativo que informa de maneira lúdica sobre a utilização da água contribuindo para o desenvolvimento de atitudes de responsabilidade ambiental em alunos da educação básica.

a) Endereço:

b) Critérios de escolha:
b.1 - relevância do tema, considerando que a educação e a responsabilidade ambiental, sobretudo no trato da temática da água (objeto deste jogo), se constitui tema imprescindível nos dias de hoje em todas as esferas de atuação profissional e de formação;
b.2 – está adequado a diversos cenários de aprendizagem, podendo ser trabalhado como apoio a educação formal, bem como nos lares em contextos educativos de pais com seus filhos, avós com seus netos e em momentos de lazer e descontração ricas oportunidades de desenvolvimento de conceitos e atitudes;
b.3 – está alinhado com as tendências contemporâneas de “gamificação” como estratégia de aprendizagem;
b.4 -  utiliza uma linguagem coloquial, simples e comunicativa, além de imagens alegres e atraentes;
b.5 - está formato em tempo adequadamente suficiente para manter a atenção do estudante;
b.6 - permite bem trabalhar transversalmente, este requisito legal (além de social) voltado para a educação ambiental, em diversas séries da educação básica.

c) Adaptação: a licença permite uso, adaptações e criações a partir desta obra, devendo ser citada e preservada a fonte. Faz restrição apenas ao uso para finalidade de ganhos financeiros. A forma apresentada no jogo atende aos objetivos pretendidos na situação de aprendizagem planejada, todavia, a partir deste outros jogos podem vir a ser criados.

d) Forma de utilização deste recurso em situação de Aprendizagem:
d.1-Tema da Aula: “Uso racional da água: pensando na saúde do planeta e das futuras gerações”;
d.2 - Contexto de Aplicação: modalidade de ensino presencial com alunos do ensino fundamental em aula de ciências;
d.3 - Competências a serem desenvolvida no estudante: pretende-se, ao final desta atividade, que o estudante tenha desenvolvido ou fortalecido competências que o permitam usar á agua com racionalidade, principalmente, no que se refere a:
- demonstrar responsabilidade e respeito aos recursos naturais do planeta;
- demonstrar solidariedade com o bem-estar das próximas gerações;
- perceber-se como pessoa para além do contexto local e individual, mas sim no contexto mundial do planeta, compreendendo que a água que utiliza em consumo próprio, afeta a vida das outras pessoas situadas em qualquer lugar do planeta;
- contribuir para um posicionamento crítico frente à questão da água, podendo atuar como um multiplicador dos conceitos ludicamente trabalhados no jogo educativo;
d.4 - Estratégias de Aprendizagem: este recurso que compreende um jogo educativo sobre o uso adequado da água, será utilizado como suporte complementar na aula de ciências para alunos do ensino fundamental. Os alunos deverão fazer o jogo em dupla, no laboratório de informática da escola. Em seguida, será desenvolvido um debate relâmpago sobre o assunto, no qual cada dupla destaca um conceito aprendido e outra dupla complementa;
d.5 – A avaliação de desempenho do aluno no decurso da atividade:    esta atividade avaliativa integra o conjunto de atividades avaliativas da Unidade e compreende 20% do total de pontos. Na avaliação, serão observados, equitativamente, os seguintes atributos (para cada um atributo identificado, 0,5 ponto), estando assim distribuídos:
- ter realizado o jogo educativo em parceria com o colega;
- ter apresentado, juntamente com seu colega (parceiro de dupla), pelo menos 1 destaque sobre os conceitos aprendidos;
- integrar dupla que tenha emitido opinião sobre pelo menos 1 destaque apontado por outra dupla;
- ter demonstrado sensibilidade ao tema, de forma que possa vir a transferir os conceitos adquiridos sobre o uso racional da água para o uso racional de outros recursos naturais do planeta.

·        REA nº 2: Conjunto de videoaulas sobre a obra “Pedagogia da Autonomia”, do educador Paulo Freire
Compreende um conjunto de 20 vídeos produzidos pelo Prof. André Azevedo da Fonseca, (Universidade Estadual de Londrina), 2015, sob financiamento coletivo (Crowdfunding) promovido pelo “Catarse” (www.catarse.me). Este tipo de financiamento é bem curioso, recente no Brasil, ocorre da seguinte forma: o dono de uma ideia, que teria dificuldade de obter financiamento para pô-la em prática, apresenta o projeto ao Catarse (ferramenta online); doações espontâneas são feitas durante 60 dias; ao obter o valor, o projeto é posto em prática. No caso desta coleção de vídeos sobre a obra “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática pedagógica”, os recursos obtidos ultrapassaram o solicitado; o excedente foi utilizado para aprimoramentos do projeto com tradução para outros idiomas. Os vídeos são facilmente localizados no YouTube. Inscrições podem ser feitas em http://bit.ly/canaldoAndre .


a) Endereço:

b) Critérios de escolha:
b.1 - relevância do tema, por se constituir bibliografia necessária em cursos de licenciatura e outras formações de professores;
b.2 – está adequado a diversos cenários de aprendizagem (reforça e diversifica os recursos didáticos do ensino ofertado na modalidade presencial, bem como  outros programas e-Learning. Representa uma rica oportunidade de aprendizagem e de aprofundamento no tema);
b.3 - utiliza uma linguagem didática, simples e comunicativa;
b.4 -  está formatado em tempo adequadamente suficiente para manter a atenção do estudante (em torno de 5 minutos).;
b.5 - permite rápidas apresentações em sala de aula, seguidas de debates.

c) Adaptação: este recurso utiliza a licença Creative Commons. Todavia, a forma apresentada atende aos objetivos pretendidos na situação de aprendizagem.

d) Forma de utilização deste recurso em situação de Aprendizagem:
d.1-Tema da Aula: “Um olhar atual sobre as contribuições de Paulo Freire”;
d.2 - Contexto de Aplicação: curso de formação continuada , modalidade de ensino a distância,  para alunos egressos de licenciatura em Pedagogia;
d.3 - Competências a serem desenvolvida no estudante: pretende-se, ao final desta atividade, que o estudante tenha desenvolvido ou fortalecido competências de análise, argumentação e debate sobre as contribuições da obra "Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática pedagógica", principalmente, no que se refere a:
- analisar as bases que fundamentam a teoria de Paulo Freire no contexto da obra;
- discutir e argumentar em grupo, estabelecendo um olhar atual no contexto da educação a distância;
- posicionar-se criticamente a respeito da obra, a partir da consulta a outras fontes, ao confronto de ideias e aos argumentos partilhados em debate/fórum.
d.4 - Estratégias de Aprendizagem: este recurso que compreende um conjunto composto por 20 vídeos sobre a obra "Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática pedagógica" será utilizado como encerramento de unidade específica. Os alunos deverão assistir a pelo menos 4 vídeos e proceder argumentos e comentários no Fórum sobre cada um deles. Dentre as 4 partilhas inseridas no Fórum, sempre deverá haver comentário sobre um a dois vídeos não comentados anteriormente (de forma que os vídeos sejam todos comentados no grupo);
d.5 – A avaliação de desempenho do aluno no decurso da atividade:    esta atividade avaliativa integra o conjunto de atividades avaliativas da Unidade e compreende 50% do total de pontos no total da avaliação da Unidade. Na avaliação, serão observados, equitativamente, os seguintes atributos (para cada um atributo identificado, 1 ponto), estando assim distribuídos:
- mínimo de 2 comentários sobre vídeos ainda não abordados pelos colegas, pertencente ao conjunto dos vídeos em tela sobre a obra "Pedagogia da Autonomia";
- clareza na formulação e na exposição de seus comentários;
- fidelidade ao tema proposto;
- referência que embase os comentários, o que demonstra aprofundamento em pesquisa e análise crítica fundamentada;
- qualidade da reflexão pessoal apresentada.

No percurso formativo do Mestrado em Pedagogia do e-Learning e ao final desta atividade acadêmica, aqui fica o registro de mais esta valiosa oportunidade de estudo e educação continuada. Mais uma vez, nos deparamos sobremaneira com a riqueza de recursos existentes na Web, com potencial para o fortalecimento da nossa prática pedagógica.
Confiemos que o conhecimento desenvolvido no decurso desta Unidade Curricular possa nos tornar mais didáticos, criativos, dinâmicos e democráticos potencializando e bem utilizando os recursos educacionais abertos existentes. Que saibamos pesquisar novas fontes, partilhar os nossos saberes com outros colegas educadores e educandos; com eles também aprender, aprender. E, ainda (por que não dizer?), ousar para além de usar, adaptar e compartilhar; e, sim, criando e recriando novos recursos.

Aos colegas e professora, obrigada pelas partilhas!